A 2ª Guerra Mundial trouxe ao mundo uma nova forma de guerrear com desenvolvimento do combate de tanques – a Blitzkrieg – criação do general alemão Heinz Guderian. Fruto de um longo trabalho de planeamento e de escolhas estratégicas, implicou um esforço concertado e preparação técnica aprimorada, exigiu uma preparação para executar um plano ousado, que mudaria o mundo para sempre. Do outro lado, depois da Alemanha ter anexado a Polónia, estava França. A França, um dos principais exércitos mundiais da altura, confiava que a Linha Maginot, uma longa fronteira defendida por bunkers e sistemas fixos de defesa, seria capaz de travar o avanço do inimigo.

Ação x estático

Estávamos perante dois paradigmas muito diferentes de abordar o combate: O primeiro, altamente móvel, baseado na ação e na iniciativa, adaptável e fluído, mas altamente dependente de um planeamento rigoroso e de uma logística que não podia falhar, altamente coordenado com a aviação – com uma visão de conjunto adaptável. O segundo, um conceito estático, calcificado. De espera sem reavaliação. E como estava ancorado na terra, construído para durar, assim se manteve, imutável e imóvel, à espera de que a realidade assim se mantivesse também, lenta e tradicional.

E num adágio de sabedoria militar comumente repetido, “não há plano que resista à realidade do combate”, a Alemanha deu a volta por cima da linha Maginot, contornou-a (De passagem engolindo a Bélgica e os Países Baixos), e a Linha Maginot de nada serviu. Aliás, serviu aos alemães, uma vez que a aposta nesta estratégia foi tão forte, que a França não se preparou para nenhuma outra possibilidade, e deixou a porta escancarada para a entrada do exército alemão, que entrou pelos fundos.

No longo prazo o plano alemão também falhou pois foi baseado numa série de pressupostos toldados pela ideologia extremista, foram incapazes de dar ouvidos aos generais de carreira, que disseram desde o início que a guerra não se podia ganhar, por falta de recursos, e porque o mundo era muito grande.

3 pontos a observar

Que podemos aprender desta universidade de história que foi este conflito? Destacamos três pontos:

Primeiro: Ter um plano é essencial! Saber o que fazer, antecipar soluções e ter objetivos, sabendo para onde ir. Rigoroso, bem pensado e baseado em bons princípios. Mas não chega se ele não for animado por uma ação e iniciativa, adaptada à realidade, que é mutável. Ficar à espera até pode ser uma opção certa, mas apenas num número restrito de casos.

Segundo: uma ação e iniciativa energética, baseada num bom plano de ação, de coordenação, passo a passo, pensado estrategicamente e taticamente, com o desenrolar preparado e definido é essencial.

Terceiro: uma vez posto em marcha, o plano tem de desenrolar-se a bom ritmo, mas tem de permitir ajustes sempre que necessário. No caso da Alemanha foram o tempo e as condições táticas encontradas, diferentes do planeado. Mas no nosso mundo empresarial também temos cenários desafiadores. Hoje, COVID assim como tivemos a crise do subprime de 2008… ou a um nível mais simples, coisas que simplesmente não ocorrem como pensado e que, quando juntas, podem fazer atolar qualquer projeto, e drenar toda iniciativa disponível.

Há que ser capaz de ser flexível, improvisar até. Mas de uma forma pensada, permitindo a revisão do plano que continua a ter de ser o suporte principal da ação – para se continuar a poder prever dificuldades, antecipar respostas e planear soluções.

Recomeço do ciclo

E ao fim de algum tempo, uma última aprendizagem é extremamente importante: Nos três primeiros pontos conseguiu-se reunir uma série de informações e testagem da realidade.

É agora possível ajustar com esta aprendizagem o plano inicialmente concebido. Voltam a questionar-se princípios, realinhar expectativas. Recalculam-se rentabilidades e reavaliam-se escolhas e abordagens ao mercado. E no final, renova-se o plano à luz dos novos pressupostos, eventualmente mudando-se a estratégia para algo completamente diferente.

Só assim se evitará que o falhanço como o da Linha Maginot, ou o do projeto alemão, que devido ao fanatismo, não pôs em causa os seus princípios básicos e, como tal, por eles morreu.

Ponha-se em ação

Por isso, tendo isto em mente, se tem um bom plano, validado e pensado, avance! Ponha-se em ação. Comece pelo ponto 1. E siga para o 2 e aprenda. Seja flexível para adequações e correções de rumo pois surpresas infelizmente fazem parte do caminho (antecipe o máximo possível com uma boa gestão de riscos LINK PARA ARTIGO)

E periodicamente ou sempre que preciso, reavalie e refaça o plano. Avance por etapas. Pare e reflita ao término de cada uma delas ou sempre que houverem mudanças significativas no caminho à frente ou nos resultados atingidos.

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